Manifesto: Uma educação largada às traças

Manifesto: Uma educação largada às traças

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Enviado por: Anônimo

Quando iniciei minha carreira como professor, sabia exatamente o contexto da escola pública. Fui casado com uma professora e a família tem vários professores. Porém, mesmo reconhecendo que a educação costuma ter muitas dificuldades, persisti em manter minha carreira na docência. A rede de Mongaguá está repleta de anomalias e ilegalidades.

O motivo deste manifesto é vocalizar o abandono e escárnio sofrido pelos professores da EMEF Givaldo Alves Gomes. Quando a nova gestão entrou, pediram um voto de confiança. Os votos de confiança se esgotaram. Somente neste mês cinco colegas tiraram atestados por problemas psicossomáticos causados pelo trabalho. Estou em outras três escolas, observo o trabalho de muitos diretores para não deixar os seus professores e funcionários sofrerem. Esta não é a realidade do Givaldo.

Aos pais que estiverem lendo este manifesto, afastem o seu filho desta escola.

Nós professores observamos alunos entrando com drogas ilícitas na escola (para traficar em sala), as brigas estão escalando cada vez mais e colocando a vida dos alunos em risco. A própria equipe está desgastada devido a vantagens concedidas a certos funcionários. Há uma merendeira que quase bateu em outro funcionário e a diretora, leniente, não tomou nenhuma atitude na primeira, segunda e nem tomará nesta terceira vez, que quase escalou para uma briga física. A SEDUC matriculou, forçosamente, um aluno no Givaldo que além de fumar em sala, já agrediu um dos inspetores até deixar uma marca no braço.

Sabemos que devemos educação á todos, essa é nossa obrigação legal. No entanto, vemos uma profunda leniência da equipe gestora. A afirmação que fizeram ao assumir é que no momento “estão” como gestores, pois bem, se “estão” como gestores neste momento, quando forem retirados do cargo seremos nós os que persistirão lutando com os problemas que estes gestores lenientes criaram. Não há responsabilização por nenhuma atitude criminosa dos alunos, constantemente sofremos abusos em sala e quando mandamos o aluno para diretoria, eles sobem rindo, repetindo o mesmo mantra: “Pode fazer o que quiser, não vai dar em nada mesmo”.

A corda arrebenta para o lado mais fraco. Tem bons alunos que estão perdidos, pois os professores não conseguem mais dar aula. Há um excesso de inclusão em sala de aula, além do permitido por lei, o que gerou e gera constantes crises nos alunos atípicos. A gestão se mantém inerte perante ao sofrimento destes alunos.

Houve uma aluna, de inclusão, que foi enforcada em sala de aula. A aluna, afastada. E o agressor, persiste matriculado e presente todos os dias. Já foram feitos boletins de ocorrência de casos de racismo e assédio sexual entre os alunos, e a gestão não propôs nenhum plano de ação para conter estes problemas.

Mas, para os amigos, a diretora da escola aceita faltas injustificadas, inclusive de uma professora de inglês que só falta, não entrega nenhum atestado e, ainda assim, recebe o salário integral. Enquanto isso, professores que dão sangue e suor pela escola são tratados com desdém e cobrados com rigor. O próprio caso da merendeira desperta preocupação, esta merendeira foi transferida
compulsoriamente pela SEDUC. Ela destrata os professores, humilha as colegas de trabalho e está forçando a transferência de duas merendeiras que não querem ir embora, porém, não enxergam outra opção. Merendeiras que sempre trataram os alunos com carinho e são antigas da escola, ou seja, conhecem bem a nossa comunidade.

A professora que foi embora para os EUA era um exemplo de trabalhadora. Incentivou diversos alunos a entrarem para carreira da escrita, formou outros professores da rede e ganhou prêmios pela autoria de livros, o único desejo dela era poder aposentar em paz. Porém, o ambiente se tornou tão insustentável, que a melhor opção foi o exílio. A secretaria de educação orientou a formação de um conselho de escola, que está sumariamente sendo desencorajado e bloqueado pela própria diretora, que se interessa somente em defender a secretaria de educação e os seus próprios interesses. Não há um gestor que conheça verdadeiramente a realidade da nossa unidade escolar, coisa que não observei em nenhuma outra equipe gestora da rede. A equipe gestora funciona pela metade, e o peso do trabalho levou um dos vice diretores a desmaiar durante o expediente por problemas de coração agravados pelo estresse.

A mãe Bartiê e a filha Bartiê já deixaram claro, entre as paredes da SEDUC, que não gostam do Givaldo e nem dos professores de lá. Este fato junto com a inabilidade da gestora gerou sérios problemas de pagamento. Um dos colegas, inclusive, teve seu salário cortado pela metade ao denunciar um problema da escola para a página Anônimos Mongaguá. Há um plano claro de destruir a EMEF Givaldo e quando estas pessoas no “estado” de gestão se forem, quem irá bancar os tratamentos médicos destes professores? Quem irá recuperar a educação perdida do seu filho? Quem irá garantir a segurança do seu filho?

Me lembro que um colega, no começo do ano, questionou a diretora inapta sobre quais medidas seriam tomadas para conter os alunos que estavam impedindo outros de estudar, pois estes alunos são os principais responsáveis pelas doenças psicossomáticas que fazem o professor faltar. Não tivemos uma resposta concreta, e hoje há faltas constantes de colegas que estão acamados devido a problemas regulares de estresse, ansiedade, depressão e doenças crônicas causadas pelo estresse. O que a diretora inapta fez? Culpou os professores por terem desenvolvido essas condições.

Não acreditem no ensino integral da EMEF Givaldo, não há um planejamento concreto. Quando foi proposto o período integral, não foi apresentado o projeto para escola nem para os professores. O trabalho dos professores do integral é sofrido, pois eles estão tendo que tirar leite de pedra. O projeto integral não foi feito considerando as particularidades da escola, há inconstância na presença dos alunos. Não há uma atividade diferenciada. As salas estão lotadas de inclusão sem um apoio para dar suporte. Muitos destes alunos não aguentam esta carga horária e desregulam com frequência. A falta de material e suporte impede que os projetos sejam plenamente desenvolvidos (não há folha, tinta, cartolina, caderno e nem lápis). Muitos professores já estão com medo de reclamar pois a perseguição com a equipe do Givaldo é clara. Não conseguimos nenhuma transferência de aluno, somente recebemos os alunos desafiadores que outras escolas não deram conta de instruir, retiraram vários funcionários da nossa
secretaria para colocar funcionários sem experiência e em desvio de função. Está óbvio que a SEDUC claramente não liga para as crianças que frequentam o Givaldo, por isso volto a reforçar, se seu filho estuda no Givaldo, peça transferência logo. Antes que o pior aconteça com ele.

Enquanto a SEDUC não se preocupa com o seu filho, ela aperta a corda ao entorno do pescoço do professor. Culpabiliza o professor pelas bagunças das “burrocracias” experimentais que tentam fazer funcionar e não funciona. Os projetos estão todos parados pois os professores estão profundamente desmotivados e doentes. Tudo em prol de planos sem técnica nenhuma, ignorando a ciência pedagógica e persistindo em erros que já foram cometidos.

Não há conhecimento técnico. Muitos dos coordenadores de área não possuem conhecimento técnico, formação ou tempo de experiência. No final, somos cobaias de um experimento arrogante e estapafúrdio de pessoas que sequer compreendem os impactos negativos gerados em toda a comunidade escolar. Estamos abandonados, porém, persistimos trabalhando. Mesmo com cobranças estapafúrdias de burocracias que nem a SEDUC sabe organizar, persistimos acreditando, não nesta gestão inapta, mas sim que a educação salva. Não existe caminho de sucesso sem a educação, enquanto houver ao menos um aluno que ainda acredite no nosso trabalho, persistiremos. Apelo as autoridades e aos pais para que façam nossa voz ser ouvida, antes que tudo pelo qual trabalhamos, desde a época da EMEF José Carlos, seja perdido, junto com a juventude de Mongaguá, que precisa de nós. Quando pediram para que acreditássemos na nova gestão, acreditamos. Porém, agora precisamos de alguém que acredite em nós. Que atenda a necessidade dessa equipe (inspetores, merendeiras, faxineiros e professores) que sempre prezaram pelo bem da nossa comunidade.

Redação

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