Quiosques de madeira são um debate infinito na cidade
A questão dos quiosques de Mongaguá joga luz sobre muitos anos de descaso com uma cidade que não merecia essa desfaçatez. Não é culpa da atual prefeita, nem de qualquer outro prefeito, mas talvez de todos eles ao mesmo tempo.
Para além do básico, temos alguns times disputando essa narrativa: aqueles que falam mal dos quiosques como se fossem os piores lugares do mundo; aqueles que adoram quiosques e acham um absurdo tirar 150 famílias de suas atividades principais; e aqui começa uma espécie de zona mista, com pessoas que adoram quiosques, mas querem que eles saiam; e gente que odeia quiosques, mas também não quer deixar 150 famílias desassistidas, e por aí vai.
O tema é complexo e poucas dessas ideias de qualquer um dos lados estão equivocadas. Está realmente faltando banheiros na orla, assim como falta a estrutura para que os quiosqueiros possam atender bem seus clientes. Colocar isso em debate pode realmente ajudar a cidade.
Essa semana, pelo menos alguns quiosqueiros ganharam um respiro com uma liminar na justiça que impede que eles tenham suas atividades interrompidas e os quiosques demolidos.
Estou no time dos que sempre gostaram dos quiosques, embora não seja frequentador de tantos assim (me incluo nessa zona mista que falei) e acredito muito que essas decisões deveriam começar com planejamento sempre colocando a economia a serviço do povo e não o contrário. Que venha uma renovação da orla, mas que priorize quem já faz um serviço do melhor forma e troca esse pneu com o carro andando desde a década de 1990.
Pra mim, os quiosques de madeira deveriam virar um patrimônio cultural da cidade. Que eles fossem reformados, estilizados, que criassem estruturas melhores, mas que mantivessem esse ar daquelas praias que a gente precisa pegar uma trilha pra chegar, sabe? A sensação de estar mais próximo da natureza de verdade e não de uma franquia gerenciada por uma grande empresa às vezes até de fora do litoral.
Quando a prefeita resolver parar para realmente discutir junto com a cidade o que é melhor para o povo daqui, talvez ela passe a perceber que com os munícipes e a classe trabalhadora caminhando e crescendo junto, a cidade tem mais chances de se desenvolver.

