A crise de identidade da Ousadia e Alegria

A crise de identidade da Ousadia e Alegria

O assunto do momento não poderia ser outro, senão a eliminação do Brasil na Copa do Mundo 2026 para a Noruega de Haaland.

Acontece que todos os vídeos que assisti sobre o assunto, todas as matérias, colunas, posts pessoais e memes, no fundo não diziam nenhuma bobagem, como geralmente acontece em assuntos polêmicos em que as pessoas não conseguem esperar para publicar sua opinião.

Mas em torno de todos eles tem esse pensamento que ainda me incomoda.

Existe uma ideia de que morreu o futebol raiz, aquela genialidade que “nasceu” em Pelé e passou por Zico, Romário, Ronaldinhos, Neymar e tantos outros. De acordo com essa corrente de pensamento, a aclamada “ousadia e alegria” não tem mais espaço no futebol criterioso e tático dos europeus, daquela escola onde o treino de força talvez seja mais importante do que entender a elasticidade e malandragem que exige um drible da vaca.

É nesse ponto que talvez ainda resida parte do meu patriotismo em relação à seleção brasileira. Eu não acredito que o fator genialidade do nosso futebol tenha sucumbido às teorias, aos estudos táticos e treinos focados em criar robôs em campo. Ele foi obliterado pela nossa autoestima enquanto pentacampeões.

Uma das coisas que eu muito provavelmente falei em todo jogo desta Copa (e não foram tantos assim, se for pensar bem), é que o Brasil precisava entrar em campo com medo. Quando entramos em campo contra seleções que não são exatamente clássicas, onde ninguém leva muito a sério o chamado “peso da camisa”, sinto que a imprensa, todo o ecossistema em volta do campeonato, a cobertura da seleção, as equipes de cada jogador e até nós mesmos enquanto torcedores cegos, minimizamos o nível da preocupação que deveríamos ter em relação àquele jogo.

“Eles vão tremer e a gente vai brilhar, aqui é Brasil”.

O jeito brasileiro de jogar futebol ainda tem espaço para brilhar e eu, assim como você, acredito que ainda vamos ver o Hexa. A crise de identidade da nossa ousadia e alegria vai perder espaço quando deixarmos de lado a ideia de que somos o intocável país do futebol e que ninguém pode com a gente.

Isso passa por uma ressignificação completa do que a gente acredita em relação ao futebol. A gente precisa dos craques dos principais clubes do mundo ou de gente que vai jogar com garra como se a vida dependesse disso?

Que o tempo ajude a descobrir os verdadeiros ídolos que poderão nos levar ao sexto título.

Robson Assis

Morador de Mongaguá desde 2021, Robson Assis é jornalista por formação, atua como redator freelancer para agências, editor de vídeo e produtor de conteúdo para diversos projetos online. Foi criador do projeto Mongaguá Mais Limpa e do Diário Mongaguá. Também é escritor do livro Amores Urbanos (2021) e músico nas horas vagas. Escreve a partir do blog Staying alive was no jive desde 2011.

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