Prefeitura de Mongaguá intervém na gestão da UPA Vera Cruz após denúncias de irregularidades

Prefeitura de Mongaguá intervém na gestão da UPA Vera Cruz após denúncias de irregularidades

Organização social responsável pela UPA Vera Cruz é afastada; conselho formado por servidores municipais assume o controle do pronto atendimento por até 180 dias


A Prefeitura de Mongaguá decretou, nesta quarta-feira (08), intervenção na gestão da Unidade de Pronto Atendimento Vera Cruz, afastando a organização social Hospital Beneficente São José de Herculândia, que administrava o serviço desde 2024. A medida, formalizada pelo Decreto nº 8.022, foi tomada após fiscais do contrato registrarem uma série de irregularidades graves na condução da unidade, com risco de paralisação do atendimento à população.

De acordo com o decreto, uma Comissão de Avaliação, responsável por monitorar o desempenho da entidade, identificou, entre outros problemas, atraso sistemático no pagamento de funcionários e fornecedores, falta de comprovação de depósitos para cobrir rescisões trabalhistas, descumprimento reiterado de notificações emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde e erros nas prestações de contas. Segundo o documento, os repasses do município à organização social estavam sendo realizados normalmente, mas os colaboradores da unidade seguiam sem receber suas remunerações.

Conselho Interventor assume o comando da UPA

Com o afastamento da organização social, um Conselho Interventor formado por cinco servidores municipais passou a responder pela gestão da Vera Cruz. O grupo é presidido por Helder Ribeiro Albuquerque Esteves, Diretor Técnico da Empresa Municipal de Saúde (EMUS), e conta ainda com o Secretário Adjunto de Saúde Carlos Eduardo Venâncio Pires de Magalhães, a Gestora de Assistência à Saúde Luciana Ticianeli Piva, o Coordenador de Auditoria Fiscal Gustavo Dias Vieira e o Chefe de Recursos Humanos da EMUS Osiel Freire Lima.

O conselho tem poderes para garantir a continuidade dos serviços: pode fazer compras e contratações emergenciais, rever contratos em andamento (inclusive os de pessoal), efetuar pagamentos a fornecedores e prestadores e até abrir contas bancárias, se necessário. A intervenção tem prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada de acordo com a situação.

Histórico preocupante da entidade

O decreto cita ainda um histórico recente da mesma organização social em outra unidade de saúde fora do município. Segundo o documento, o Hospital Beneficente São José de Herculândia teria causado problemas graves de gestão na Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), o que resultou na rescisão do contrato naquela cidade, um fato divulgado pela imprensa. Para a Prefeitura de Mongaguá, esse histórico reforça o padrão de descumprimento contratual da entidade perante órgãos públicos.

Prefeitura atualiza regras para intervenções em contratos de gestão

Paralelamente ao decreto de intervenção, a Prefeitura publicou o Decreto nº 8.021, que atualiza as regras gerais sobre contratos firmados com organizações sociais no município. A mudança acrescenta ao decreto original de 2019 a previsão formal de que o Poder Executivo pode intervir em qualquer contrato de gestão por até 180 dias, prorrogáveis, sempre que houver risco comprovado à regularidade ou à continuidade dos serviços prestados à população.

A medida dá respaldo legal a situações como a que ocorreu na UPA Vera Cruz e segue uma tendência reconhecida pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que admite esse tipo de instrumento em contratos de gestão com organizações sociais.

O decreto determina ainda que sejam expedidos ofícios a todas as autoridades envolvidas no caso. Foram comunicados o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o Ministério Público, a Controladoria-Geral do Município, a Procuradoria-Geral do Município e a Câmara Municipal de Mongaguá, para que cada uma tome as providências cabíveis dentro de suas atribuições. Se comprovado o descumprimento contratual, a organização social poderá ser formalmente desqualificada.

Serviços devem continuar normalmente

A Prefeitura afirma que serão tomadas todas as providências necessárias para garantir a continuidade do atendimento à população na UPA Vera Cruz, seja por meio de gestão direta ou indireta, nos termos da legislação vigente. A prioridade é preservar o acesso dos usuários ao serviço de saúde, um direito fundamental diretamente ligado à dignidade da pessoa humana.

Redação

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